Monthly Archives: Março 2011

Eu e a coca-cola

Eu e a coca-cola

Ah, coca-cola que o meu corpo vem refrescar,
onde estará o teu amado, amado meu?
Eu te bebo sem dever procurando-o
mas você é dele e não ele.

Ah, amiga minha coca-cola,
cá estamos nós duas a esperar.
Eu invejo-te quando ele a cheira, a deseja
não sei por quanto tempo suportarei tal divisão.

Coca-cola que corre em tantas veias,
mas tua cor é não-rubra, e negra és, e
semelhante ao petróleo, és também
um combustível de máquinas humanas.

Combustível de mentes estressadas,
século vinte e um de pernas apressadas,
tempo escasso e mais uma coca-cola…

Fique aí, coca-cola, na tua morada refrigerada.
Ainda estás melhor que eu,
neste domingo rabugento,
tempo quente, seco, sedento,
inóspito, inócuo e cheio da ausência dele.

Ah, coca-cola!
Poderia eu em ti me afogar,
e tentar sentir o que ele sente,
quando os teus lábios vai beijar,
mas tudo vazio ainda iria continuar.

Assim ficamos nós duas.
Eu a esperar, você a esperar ficando,
torcendo para que este domingo acabe,
a segunda amanheça, e imaginando
ele para nossos braços Retornando.

© Por Lilly Araújo-17/09/06 – Direitos Autorais Reservados.

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Chocolate

Chocolate

Descasco gentilmente o papel
multicolorido que envolve o corpo doce
do prazer que vem em barra.

Lentamente, quase que adivinhando,
transporto aquele objeto quase negro,
quase mágico à boca quase faminta.

Minha manhã e a barra de chocolate.
Meu corpo agradece às milhares de reações
químicas se desencadeiam depois do
primeiro toque. Depois que o experimento!

De novo no paladar a sensação que já conheço
e que adoro relembrar…
Doce. Toque. Prazer. Química.
Tato, olfato e paladar. Desvarios!

Nos meus braços agora,
lhe descasco pouco a pouco,
também me trazes à boca a ternura e
o prazer de outrora. Quase morro…

Tato, olfato e paladar!
Você: – O chocolate que adoro descascar.

 © Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

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Em Teus Ângulos

Em Teus Ângulos

Por cima de ti, passeio, troto sem dó, estapeio teus lírios, teus idílios. Por cima de ti, recrio o inferno e por ti colho os gerânios, teu androceu. Por cima de ti, invento um girassol, penso em dominó, que me lembra o ébano que me lembra você, que é meu. Sou o branco dos teus olhos negros, sou a parte alva da tua carne dura, dos teus músculos tesos.

Ao redor de ti, escalo montanhas, expilo feito vulcão, sou bebida forte, sou chapa fumegando, o estouro do champanhe. Ao redor de ti, sou suor de guerreiro, sou olhar de lince, voo do falcão. Sou o som que o tambor faz, o marchar da tropa muda, o silêncio que antevém o bote. Sou o próprio bote, sou a naja encarando a outra.

Ao me afastar de ti, sou noites insones de um beduíno perdido em noite sem Lua, sou folha boiando à deriva, sou água de bica, sou moça passando em pinguela.

Por baixo de ti, sou mulher.

(por Suzana Guimarães)

Dia Nacional da Poesia – 14 de Março

POESIA


AMOR era um jovem muito cobiçado,

morava na rua do Coração Apaixonado e

todos o queriam por perto.

As mocinhas suspiravam por AMOR.

 

Certa vez, AMOR enamorou-se.

Chamava-se DOR a linda donzela.

Paciente, e persistente

pôs-se a lutar para conquistá-la

 

Então, ela sempre recebia

cartas de AMOR,

flores de AMOR,

e muitos outros presentes.

 

Casaram-se finalmente.

AMOR e DOR, entrelaçados eternamente!

Nasceu-lhes uma filha em um belo dia,

metade AMOR, metade DOR.

Batizaram-na POESIA.

 

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados

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