Monthly Archives: Maio 2011

Meus Versos

Meus Versos

Meus versos brotam assim displicentemente
como minas de águas correntes
que outrora escondidas na alma da Terra,
agora se aventuram mostrando
seu curso, suas curvas,
que vão tomando força, enquanto
percorrem o mais desconhecido caminho…

E assim, meus versos vão se tornando rio.
Rio tortuoso. Rio calmo.
Rio de correntezas espessas.
Rio de calmaria e surpresas.

E meus versos são tantas vezes
solitários como eu sou.
Mas às vezes, simplesmente,
caminham de mãos dadas com o amor.
Como se pudessem ficar contentes,
e de repente se esquecem da dor.

Meus versos são desnudos,
não se converteram a métricas
nem a rimas acorrentados estão,
são versos donos de si mesmos.
Versos os meus nascidos desse coração
que transborda suas margens de emoção.

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

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Eu Prefiro

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Eu Prefiro

Eu prefiro ensinar a um macaco a
não gostar mais de banana, e
a um elefante a não gostar de amendoim

Eu prefiro ser odontóloga de leão,
pescar tubarão com a mão,
surfar nas Cataratas do Niágara,
e escalar o Everest sem blusa de frio.

Prefiro procurar a pedra Coração do Oceano
no Titanic naufragado sem usar tanque de oxigênio.
Prefiro até, com muito, muito pavor,
roubar mel de enxame de abelhas.

Eu prefiro tirar doce de criança,
provocar Pit Bull desacorrentado,
ter quatro dentes cisos de cada lado
e atravessar o oceano a nado.
(Mesmo sem saber nadar!)
Prefiro até acreditar na política.

Eu prefiro trocar ideologia por ciência,
esquecer que ciência também constrói ideologias,
prefiro morrer na letargia…

Eu prefiro esquecer de envelhecer,
esquecer de respirar,
esquecer que vou morrer
esquecer o que é chorar.

Eu prefiro abrir mão da luz do sol,
da beleza da lua,
e do brilho das estrelas…
Prefiro abrir mão de mim mesma,
que também sou você imanentemente.

Eu prefiro escamotear fatos inegáveis
e inesquecíveis diante de olhos incrédulos.
Procurar uma praia cheia de peixes celacantos,
águas-vivas gigantes e caramujos mutantes.

Eu prefiro fingir que o doce é amargo,
que o amargo é doce,
prefiro sorrir com vontade de chorar
e até chorar apenas por não saber o que fazer.

Eu prefiro qualquer loucura
que substitua a loucura maior e devaneio,
que é dor sem cura e pesadelo, o fato de
tentar te esquecer um instante só que seja,
fingindo que é vida o que se vive sem te ter.

– Eu prefiro na verdade morrer
à um dia só que seja , ter que tentar
viver sem você.

©Por Lilly Araújo – Direitos Autorais Reservados.

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Homenagem para minha mãe.

Foto por Lilly Araújo

Nelita

Nasceu no mês de agosto. Era menina. De início teve saúde

frágil e talvez nem escapasse, pensaram seus pais.

Asma era coisa muito grave em seu tempo.

Mas “vingou”! Como diria sua mãe.

 

Crescia. Descobriu aos poucos a intolerância dos adultos.

 Entristeceu-se. Brincou, correu, pulou. Caiu e levantou.

Trabalhou muito cedo. E também trabalhavam cedo os irmãos.

Cedo. Muito cedo sentiu o peso da pobreza.

Mas pior mesmo, foi o peso da mão violenta do seu pai

e a condescendência da frágil mãe.

 

Duvidou do que era amor!

 

Viu as perfumadas e enfeitadas filhas das patroas,

 e sentiu-se diferente, talvez até diminuída. Sofrida. Muito sofrida.

Adolescente ainda pôs o pé na estrada, seguindo o rastro da sua irmã

mais velha. Seria dona de si e buscaria o sentido da vida.

 

Buscaria o sentido do amor!

 

Esperança nos olhos. Inocência que se perdia rapidamente

enquanto a vida batia. Era ainda tão menina! Trabalhou.

Desempregou-se. Desesperançou. Empregou-se novamente.

Um abrigo. Finalmente um teto.

Só faltava-lhe mesmo era um pouco de afeto.

Espelhou-se um dia num tênue reflexo de uma mulher

que despontava nas curvas de seu corpo.

 

Quis buscar agora outra forma de amar!

 

Enamorou-se. Brigou. Voltou. Separou. Desistiu. Tornou a

Tentar. Casou. Seu projeto agora era o de engravidar.

Tentou. Tentou. Pareceu não conseguir. Chorou.

Pediu a Deus e foi ouvida.

Agora em seu ventre habitava uma vida.

 

Finalmente descobriu que amaria!

 

Uma filha. Seu pedaço. Sua continuação. Alegria!

Trabalhou, esforçou-se mais e deu-lhe sua mais sincera

 e profunda dedicação. Tinha uma desconhecida paz em seu coração.

Muito mais luta ainda. E, tempos depois teve um filho. Um varão.

E muito depois veio a filha caçula. Cerrou-se o ventre.

 

 Amou. Errou. Acertou. E amou mais!

 

Chorou ainda tantas vezes por amor, ou desamor dos homens

de sua vida. Mas sobreviveu nessa guerra que é

viver sendo mulher. Sendo “Mãe-Pai”.

E pôde enfim olhar para trás e rever sua história,

e teve que aceitar, que tendo seus filhos como tanto sonhou,

encontrou força para continuar.

 

Tranfigurou-se no próprio amor. E ensinou-nos o que é Amar!

   

Homenagem para o dia das Mães.

©Por Lilly Araújo-08/05/2011

Este vídeo é Arte e Poesia.

Choro

Choro

Choro, porque vejo que em meu peito
se estreitam emoções que não posso conter.
Sofro. Nascida assim poeta,
não saberia jamais como não sofrer.

Amo. Um amor louco, doído,
tresloucado, renegado e tantas vezes
abafado pelos meus gemidos.

Choro. Porque ainda tenho direito a lágrimas.
Pois dos meus sentimentos fui furtada,
desde que te quis nem sei porquê.
Sofro. Por dúvidas, por saudades e por distância.

E me afasto sem querer. E permaneço.
Silêncio! Para sempre silêncio em meu ser.
Porque sofro o necessário pelo um bem maior,
que é saber que sem mim estarás bem melhor.

E por isso, eu às vezes choro.

©Por Lilly Araújo-07/05/2011 – Direitos Autorais Reservados.

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