Monthly Archives: Junho 2011

Réptil

Réptil

 

Desconheço seus caminhos

sinuosos

    de réptil astuto e sedutor.

                  Sibila ao meu ouvido um

                                               estranho amor,

                             em convite à vida ou à morte.

– Eu desajuízo, me entrego à própria sorte.

© Por Lilly Araújo-12/05/2011-Direitos Autorais Reservados.

Classificada para compor antologia do Concurso de mini poemas Landa Lopes.

O Sofá

O Sofá

Foi assim que acontecia,
querias vir até mim a todo momento,
e eu permitia que viesses,
o sofá prontamente te recebia.

Querias vir, e eu queria.
Éramos então só nós dois perdidos,
displicentes em meio a tanta gente.
O sofá era sempre o nosso cúmplice.

Foi assim que acontecia,
sem esperar, mas esperando, nós ficávamos.
Eu e meu companheiro sofá.
Sofá que ainda carrega o teu perfume.

Querias tanto que eu fosse tua,
e eu já era antes mesmo que quisesses,
e era antes mesmo que pudesse.
Éramos nós, descobrindo o que é amar!

Foi assim que tudo foi acontecendo.
Eu ainda continuo te querendo,
mas pareço não mais alcançar.
O pobre sofá continua a esperar!

© Por Lilly Araújo – Direitos Autorais Reservados.

Publicado na CBJE

Minutos

Minutos

Agora os minutos terão que passar rapidamente
até que anoiteça e possas ser meu finalmente.
Agora os minutos terão que disparar, para que
nessa angustiosa espera, eu saiba te esperar.

Mas eu sei que esses minutos bandidos irão se atrasar,
é uma espera que nunca chega, e que chegando
tão breve se esvai por entre meus dedos.
Curtos estes instantes perfeitos de nós dois!

Vou fazer um trato com esses minutos,
não é para existirem no vazio que tu deixas,
e quando finalmente chegas,
então eles podem se esquecer de passar.

Mas infelizmente, eu já sei,
que estes minutos amargos irão se atrasar.
Vou usar alguns desses minutos para dormir,
assim eu os atropelo sem sentir.

Porque quando longe de tua presença,
qualquer instante é vazio demais,
distante demais, frio demais,
solitário, inócuo, insípido.

Qualquer minuto sem te ter,
é minuto demais!

© Por Lilly Araújo – Direitos Autorais Reservados.

Publicado em CBJE

Rústica

Rústica

 

Ser a moça mais linda do povoado

Pisar, sempre contente, o mesmo trilho,

Ver descer sobre o ninho aconchegado

A bênção do Senhor em cada filho.

 

Um vestido de chita bem lavado,

Cheirando a alfazema e a tomilho…

– Com o luar matar a sede ao gado,

Dar às pombas o sol num grão de milho…

 

Ser pura como a água da cisterna,

Ter confiança numa vida eterna

Quando descer à “terra da verdade”…

 

Deus, dai-me esta calma, esta pobreza!

Dou por elas meu trono de Princesa

E todos os meus Reinos de Ansiedade.

Florbela Espanca

Rua

Rua

Saio na rua sendo apenas eu mesma.
Saio bela, desfilando no olhar uma felicidade ímpar.
Saio na rua e pareço desfilar por entre as
passarelas das calçadas agitadas.

Saio na rua e tenho sobre mim olhos curiosos,
olhos desejosos, olhos maliciosos, olhos…
Mas eu continuo apenas indo pela rua,
e dentro de mim, eu agora não sou apenas eu,
sou composta, complexa, acompanhada.

Saio na rua sendo “eu-tua”.
E mesmo sem ti, continuo toda contigo em mim.
E assim eu perambulo pelas ruas.
A rua às vezes é engraçada,
e sem te ter ao meu lado é sempre triste.

Eu saio na rua como se desfilasse,
mas não sou eu quem está ali,
é apenas minha metade,
fica sempre faltando a outra parte.

Assim eu continuo bailando
pelas extensas, estreitas, frenéticas ruas
sob vários olhares e alguns sorrisos.

Mas eu só sorrio por inteiro,
quando estando em minha Rua,
de longe te antevejo. Então eu já sei
que serei novamente tua…
– Na minha Rua!


Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.