Necessidades

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É necessário que eu gaste
as tintas que escorrem,
sem protestar, pela caneta nervosa,
que apenas obedece aos meus dedos.
Dedos também nervosos!

É necessário que eu gaste
cada palavra capturada
pela minha rede ansiosa e aflita,
e que me agarre à esperança
de que a solidão fuja ao som,
que retine quando sou lida.
E esperar, que de alguma forma,
essa solidão me esqueça,
me deixe, seja espantada,
por um instante que seja.

É necessário
que eu lance mão das letras,
dos versos,
dos gritos ocultos em cada dígito,
para que eu não morra de vez.
Ou enlouqueça.

É necessário
que eu busque essa prisão
para me prender,
como a âncora busca o fundo
para se proteger do mar,
onde só o navio flutua livre
porque não tem medo de amar.

É por pura necessidade.
Apenas isso.
Não é vaidade, não é arte.

Apenas necessidade,
dessas que se tem todo dia,
como a língua que necessita do paladar,
como as unhas necessitam
afiar-se nas costas da pessoa a amar,
como a serpente que
necessita destilar o seu veneno,
e se insinuar antes da picada.

Apenas necessidade.
E mais nada!

Lilly Araujo

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About lillyaraujo13

Bióloga. Poeta. Amante de Deus, das crianças, das pessoas de boa fé e dos animais.

Posted on 2 de Dezembro de 2014, in Poemas de Lilly. Bookmark the permalink. Deixe um comentário.

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