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Escrevo Dentro da Noite

“Escrevo Dentro da Noite”

Estou escrevendo para não gritar. Para não acordar
os que dormem felizes lado a lado,
os que repousam, aconchegados,
os que se encontram e continuam juntos
e não precisam sonhar
porque não dizem adeus…

Estou escrevendo para não gritar. Para enfunar o coração
ao largo.

E as palavras escorrem salgadas como um córrego de águas mortas
num silencioso pranto.
Tão perto, e nem percebes minha insônia. Nem ouves a confidência.
que põe nódoas no papel para não ter que acordar-te
e se transmuda em palavras, que são estátuas de sal.

Estou escrevendo para não gritar. Para não ter tempo
de acompanhar a noite,
para não perceber que estou só, irremediavelmente só,
e que te trago comigo
sem outra alternativa que o pensamento
– cela em que me debato a olhar a lua entre grades.

Estou escrevendo para não gritar. Para não perturbar
os que se amam
se juntam, e se estreitam, e sussurram na sombra
e passeiam ao luar,

para que as palavras chovam num dilúvio, silenciosamente,
e me alaguem, e me afoguem, e me deixem pela noite a dentro
como um corpo sem vida e sem alma,
a flutuar…
( Poema de JG de Araujo Jorge
do livro”A  Sós…” 1a ed. 1958 )

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Adeus?!

 

Adeus?!

Sozinho, perdido, chorando, rasgado
é assim que estarás.
Sozinha, perdida, chorando, rasgada,
assim estarei.

Adeus meu grande amor,
nós já temos que partir.
Promessas!Momentos! Palavras!
Quando foi que mentimos pra nós mesmos
e nos perdemos?…

Sonhos perdidos!
O nosso amor se quebrou.
Agora onde irei ancorar minha alma?!?
Estarei sozinha, perdida, jogada, largada.
Rasgada sem aquele que nunca foi meu.

Nas canções ouço as palavras de dor
que eram para ser só minhas.
Ah! Nada é só meu. Tudo parece já
pertencer a outro alguém antes de mim.

Nem eu pertenço a mim mesma,
pois se assim fosse, eu seria totalmente sua.
Há um lado gritante dizendo que sim,
e um sussurro latente dizendo que não.

Ai, menino! Cada instante contigo faz com que
eu me perca sem saber me encontrar,
(sem saber, sem poder e sem querer),
querendo apenas cada vez mais me perder.

Quero-te. Quero-te. Quero-te. Quero-te…
… … … … … … … … … … … … … … … … … … … … …
e jamais o terei?
Perdi-me. Perdi-me. Perdi-me.

Adeus!Agora pego meus cacos espalhados
neste cenário de um sonho
que nunca mais será sonho.
Fui atingida de morte!Fui atingida de Vida!
Vida que só foi vida em tua vida.

Adeus!
Mas eu não queria ter que partir.
A vida foi quem escolheu por mim.
Não pergunte as razões,
mas eu as trago, imponentes e amargas.

Adeus!
E desta vez minha fuga não será
para uma cidade tão próxima que possas alcançar-me.
fujo agora de mim mesma, e ainda assim
continuarei aqui mesmo.
Não tentes me deter ou morrerei.

Adeus?!
Vou partir querendo, mas não podendo ficar.


© Por Lilly Araújo – 07/06/2006 – Direitos Autorais Reservados.

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