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Sem depois

Chorar

Eu quero chorar!
Chorar como se só eu tivesse o direito.
Chorar como se só eu, no mundo inteiro,
sentisse essa dor que dói tão profunda
dentro do peito.

Eu quero chorar e me esquecer de tudo
e de todos…
Esquecer da fome mundial,
das doenças incuráveis,
da mazelas sem fim…

Quero chorar egoisticamente,
sentido pena de mim.

Eu quero chorar,
até que as lágrimas todas
saiam e me abandonem,
e expurguem essa dor,
essa emoção sem teto e sem chão.

Chorar tudo até que o tudo se esvazie,
e que esse vazio se junte ao meu vazio,
e sejam enfim dois.

Eu quero chorar todo meu hoje,
sem pensar no amanhã,
sem pensar no depois.

Lilly Araújo

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Eu Prefiro

Dactyloptena_orientalis

Eu Prefiro

Eu prefiro ensinar a um macaco a
não gostar mais de banana, e
a um elefante a não gostar de amendoim

Eu prefiro ser odontóloga de leão,
pescar tubarão com a mão,
surfar nas Cataratas do Niágara,
e escalar o Everest sem blusa de frio.

Prefiro procurar a pedra Coração do Oceano
no Titanic naufragado sem usar tanque de oxigênio.
Prefiro até, com muito, muito pavor,
roubar mel de enxame de abelhas.

Eu prefiro tirar doce de criança,
provocar Pit Bull desacorrentado,
ter quatro dentes cisos de cada lado
e atravessar o oceano a nado.
(Mesmo sem saber nadar!)
Prefiro até acreditar na política.

Eu prefiro trocar ideologia por ciência,
esquecer que ciência também constrói ideologias,
prefiro morrer na letargia…

Eu prefiro esquecer de envelhecer,
esquecer de respirar,
esquecer que vou morrer
esquecer o que é chorar.

Eu prefiro abrir mão da luz do sol,
da beleza da lua,
e do brilho das estrelas…
Prefiro abrir mão de mim mesma,
que também sou você imanentemente.

Eu prefiro escamotear fatos inegáveis
e inesquecíveis diante de olhos incrédulos.
Procurar uma praia cheia de peixes celacantos,
águas-vivas gigantes e caramujos mutantes.

Eu prefiro fingir que o doce é amargo,
que o amargo é doce,
prefiro sorrir com vontade de chorar
e até chorar apenas por não saber o que fazer.

Eu prefiro qualquer loucura
que substitua a loucura maior e devaneio,
que é dor sem cura e pesadelo, o fato de
tentar te esquecer um instante só que seja,
fingindo que é vida o que se vive sem te ter.

– Eu prefiro na verdade morrer
à um dia só que seja , ter que tentar
viver sem você.

©Por Lilly Araújo – Direitos Autorais Reservados.

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