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O Encontro

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Imagino insistentemente como
será o chegar daquele dia…

Trago o peito palpitante.
Já posso sentir-lhe o cheiro de mar,
prever-te o toque,
e antecipar o paladar.

Depois de tanto tempo,
apenas vislumbrando suas fotos,
imagens que dizem tanto,
e ainda assim é tão pouco.

Os seus convites fortuitos
me desafiam a te encontrar…
Temo, e por temor
sei que não posso tentar.

O encontro!
Poderei olhar-te frente a frente,
sentir entre meus dedos
o frescor do seu toque quente?
Seremos um, finalmente?

O encontro.
De céu e paraíso
de lava e vulcão,
e entre nós
o disparar do coração.

O encontro.
Num desses dias como outro qualquer,
eu tomo enfim coragem,
e vou ao teu encontro,
brincar de ser mulher.

© Lilly Araújo 25/11/2013

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Toca-me

Toca-me

Se me queres tocar,
toca-me.
Mas toca-me suavemente,
como uma brisa de mar.
Toca-me como se beijasse uma rosa
sem a despetalar.

Se me podes tocar,
estende a tua mão amiga,
e teus dedos amantes,
então, toca-me as entranhas
como se nunca antes.

Se me queres e me podes tocar,
venha como um vulcão
e inflama-me a alma,
e me deixe em chamas.
E na hora do amor,
sussurre que me amas.

E se me tocas, eu te aviso
sem medo, sem pudor,
que torno-me tua toda,
entrelaçada nos teus braços de amor.

Lilly Araújo 07/11/14

Piegas

Iegasr

Gosto de homem que manda flores,
e me agarro ao buquê, deliciando-me com cada
uma de suas cores.
E cada pétala, cada folha, cada curva, cada detalhe
me absorve e me acaricia.
E o perfume adentra o meu ser, e percorre cada capilar,
invadindo todas cavidades do meu interior,
e fecho os olhos para sonhar…

Sou piegas!
Gosto de homem que faça serenata na calada da noite,
e depois saia de mansinho e me deixe a suspirar,
enquanto eu saboreio as notas musicais,
deleitando-me em cada melodia,
revolvendo-me entre os lençóis desejando mais e mais.

Sou piegas!!
Gosto de amor à moda antiga,
de beijinho no rosto querendo deslizar mais um pouquinho,
de ter entrelaçados os dedos mindinhos,
do meu olhar encontrar pouso seguro dentro do outro olhar,
sem medos, sem culpas, sem superficialidades.

Gosto de águas límpidas e transparentes,
de mergulhar profundo, sem volta, sem medo.
Rendida!
Sou piegas, e sonho com um amor à moda antiga.

Lilly Araújo – 20/09/2014

Café

café

11º lugar no VIIº CONCURSO POESIARTE 2013

 

Lilian Araújo

*Nome: (Lilian Araújo.) LILLY ARAÚJO

*Poesia: O fauno e a dríade.

*Cidade que representa: Anápolis/GO.

*Pseudônimo: Flor de Cerejeira.

*Pontuação: 383 pontos.

 

-Veja a poesia, que ficou em 11º lugar no VIIº CONCURSO POESIARTE:

Ensaio fazenda

*”Fazenda” – Tela de Roldão Aires.

 

O fauno e a dríade

Disse o fauno lentamente
como se quisesse fazer
a dríade finalmente entender,
— Não há mais nada para nós aqui,
se ficarmos iremos morrer!

A pequena fada olhou em despedida
a última árvore que ainda não
havia sido abatida.
Bateu as asas lentamente,
e como se não quisesse mais ver,
deu-lhe as costas de repente.

O fauno, amigo fiel,
quedou-se calado, não sabia o que dizer,
trotou ao lado da desconsolada fada,
vislumbrando o cenário de horror:
tudo sem brilho, sem alegria e sem cor.

Não havia mais estrelas no céu,
não mais brilho do luar,
Tudo agora era triste e cinzento,
morrera a terra, sujou-se a água,
calou-se o vento.

Foi assim que partiram os últimos
seres encantados do planeta
chamado Terra.
Recolheram-se um a um,
fugindo desse mundo de tanta guerra.

Digladiou-se o HOMEM
contra si mesmo tantas vezes.
Atacou a natureza sem dó nem piedade,
seus atos foram malignos
e repletos de irresponsabilidade.

Foram os dois últimos a chegar
naquele novo lar,
prantearam todas as perdas,
e desejaram um novo recomeçar.

O mundo que para trás deixaram
já não teria mais o que comemorar.
Seria duro e cruel tentar viver,
depois de a última árvore fenecer.

(Pseudônimo: Flor de Cerejeira)

 

 

 

*Comentário feito pelo jurado Fernando Aires de São Paulo/SP:

 

 

“Muito bem elaborada, a poesia, verso por verso, alude à mitologia grega e traz no debate a questão do desmatamento irresponsável, que é conseqüência da ambição do homem. Tem criatividade, ótimo vocabulário, excelente conotação.”

 

 

(Fernando Aires – jornalista)

 

 

 

*Comentário feito pelo jurado Emanuel Carvalho de Natal/RN:

 

“Belíssimo texto que transmite ao leitor um alerta que o fim do mundo acontece todos os dias, com as guerras que só trás horror, a morte ela é a única vencedora e muito mais eminente é o fim do homem que só procura o seu próprio silêncio sem se dar conta ou finge não querer ver o resultado do seu próprio fim.”

 

(Emanuel Carvalho – escritor)

FONTE