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Infância I

Infância I

Quem me dera da vida de criança,
carregar na memória indeléveis lembranças.
Lembranças do Atari com fitas empoeiradas
que nunca pude ganhar,
lembranças da bicicleta estragada voltando
da oficina
novinha, novinha.
E de um natal ao lado do meu pai.

Lembranças que nunca terei,
exceto no meu mundo imaginário,
onde sou o que quiser,
e posso não apenas correr saltitante
pelas ruas e além,
mas posso voar também.

As lembranças que trago pulsantes,
vivas, e ininterruptas,
que escancaram as cortinas do meu peito
com brilho de raios solares tênues e amarelados,
penetrando o profundo da alma, espantam
a amargura de dias passados-frustrados.

Nesse mundo criado por mim,
do imaginário,
onde sou o faz-de-conta daquilo
que realmente me retrata.
Posso ser o heterônimo que inventei,
e viver toda a infância que sonhei.

© Lilly Araújo-11/01/2012

Classsificada para Antologia do Poesias Encantadas IV

juntamente com o poema: POESIA

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Grades

Grades

Imagino-te enciumadamente.
O seu leito preenchido nessa madrugada
por alguém que não eu. Como sempre,
e mesmo tanto tempo depois, ainda sofro.

E percebo no meu sofrer que minha
alma não calejou, e ainda sente a dor fina e aguda
do meu ciúme que também é amor.
E vou te imaginado sem parar nessa minha insônia…

Então, vou desejando morrer de amor,
e vou desejando viver em teus braços,
e vou me cansando de tanto desejar
tantos desejos desencontrados.

E vou me privando de deitar, de dormir
de descansar, de sonhar.Vou gastando minha alma,
chorando lágrimas que já não caem mais,
sucumbidas no meu abismo interior.

Apenas porque nasci dentro de Grades
que insisto em chamar de amor.

© Por Lilly Araújo  – Direitos Autorais Reservados.

Classificada para compor a antologia Poesias Encantadas III, no qual tive a Honra de ter a foto da capa escolhida.

Foto da Capa by Lilly Araújo

Meus Versos

Meus Versos

Meus versos brotam assim displicentemente
como minas de águas correntes
que outrora escondidas na alma da Terra,
agora se aventuram mostrando
seu curso, suas curvas,
que vão tomando força, enquanto
percorrem o mais desconhecido caminho…

E assim, meus versos vão se tornando rio.
Rio tortuoso. Rio calmo.
Rio de correntezas espessas.
Rio de calmaria e surpresas.

E meus versos são tantas vezes
solitários como eu sou.
Mas às vezes, simplesmente,
caminham de mãos dadas com o amor.
Como se pudessem ficar contentes,
e de repente se esquecem da dor.

Meus versos são desnudos,
não se converteram a métricas
nem a rimas acorrentados estão,
são versos donos de si mesmos.
Versos os meus nascidos desse coração
que transborda suas margens de emoção.

© Por Lilly Araújo-Direitos Autorais Reservados.

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